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As últimas décadas do século XX consagraram definitivamente o JAZZ como uma música de fusões, como uma música popular do mundo. Isto é, o JAZZ assumiu definitivamente ser uma expressão musical em que todas as músicas do mundo se podem exprimir, em que todas as culturas musicais conseguem integrar as suas particularidades, idiossincrasias e virtualidades, enriquecendo as diversidades do JAZZ e enobrecendo com isso as próprias origens populares do JAZZ.
Era esta uma «surpresa» que nos faltava no que alguém chamou de «o som da surpresa»: é nesta música que todas as músicas do mundo hoje «improvisam» e tantos músicos do mundo dialogam! O que este festival pretende é espalhar um pouco deste diálogo pelas ruas, quelhas, arcos e esquinas desta cidade, unindo mais uma vez a história branca destes muros à contemporaneidade e informalidade que o JAZZ representa e gosta de cultivar e que residentes e visitantes hão-de gostar de saborear ao calor fresco dos fins de tarde que Évora tem. Propõe-se, assim, uma animação do seu centro histórico, valorizando os pequenos espaços deste nosso universo arquitectónico também ele património do mundo. Em coerência, a programação que se propõe assenta muito em pequenas formações, ao mesmo tempo que valoriza músicos locais e outros que despontam no panorama nacional, sem descurar a presença de outras contribuições de culturais musicais de origem europeia. Claro que um festival deste formato, nomeadamente de contacto directo com a gente, a que aqui reside e a que nos visita, e as ruas da cidade, não poderia ignorar a memória das origens deste tipo de música, com brass bands que celebram e desfilam como as second line memoráveis que nem os dilúvios da nova era conseguem demover. E porque se celebra este ano o centenário do nascimento de Django Reinhardt, o músico responsável pelo primeiro grande contributo original da cultura musical europeia ao JAZZ, de resto, ele próprio representante de uma cultura eminentemente transeuropeia nas suas raízes, nomadismo e territorialidade, pareceu-nos ser imperdoável, enquanto amantes da cultura e desta expressão musical, deixar passar esta oportunidade sem lhe prestar ao menos um singelo tributo. A organização é da responsabilidade da Associação Cultural do Imaginário com o apoio da Câmara Municipal de Évora. |