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As célebres Ruínas de Tróia, que celebraram em Junho os cem anos de classificação como Monumento Nacional, estão etre os maiores atractivos deste Verão na nova oferta turística da península. Aquele que é o vestígio arqueológico mais complexo de produção de conservas e molhos de peixe conhecido no Ocidente romano tem sido visitado por centenas de pessoas, sido ainda motivo para um conjunto de actividades.
Segundo o programa estabelecido pela Sonae, as ruínas podem ser visitadas quartas-feiras e sábados, às 10.00 horas mediante marcação prévia, sendo os visitantes acompanhados por arqueólogo, segundo revelou ao “Diário do Sul” a coordenadora do projecto Inês Vaz Pinto. O programa contempla os “Romanos em Tróia”, com actividades pedagógicas nas Ruínas para crianças hospedadas no troiaresort, experiência Tróia Romana, que prevê uma actividade organizada para grupos, com estadia no Aqualuz Suite Hotel Apartamentos, que pode incluir várias opções à escolha. Entre elas conta um jantar romano inspirado na gastronomia romana, em particular no livro de receitas de Apício, e que inclui um prato com colatura di alici, um molho de peixe muito semelhante ao garum romano. Mas também há jogos romanos, com sessão de jogos de tabuleiro romanos como o jogo do moinho (merellus), o jogo do soldado (ludus latrunculorum) e o jogo do tabula (duodecim scripta). Para quem preferir pode embarcar num passeio pela orla do estuário Sado, com visita guiada por uma arqueóloga a importantes núcleos de ruínas postos a descoberto pelas marés e fora do percurso de visita habitual (duração aproximada às duas horas. Do programa faz ainda parte a palestra “Tróia no mundo romano”, com apresentação em sala por uma arqueóloga. O maior desafio convida os visitantes a serem arqueólogos por um dia, com actividade para jovens maiores de 13 anos e adultos hospedados no troiaresort: possibilidade de experimentar o trabalho de escavação com a equipa de Arqueologia durante um dia. Segundo Inês Vaz Pinto, as ruínas estão identificadas desde o século XVI, quando foram alvo de várias campanhas de escavação, a primeira das quais no séc. XVIII, por iniciativa da Infanta D. Maria - futura Rainha D. Maria - e outras de grande envergadura nos séculos XIX e XX. “Estas escavações puseram à vista várias oficinas de salga, termas, um núcleo residencial, uma rota aquaria, um mausoléu, uma basílica paleocristã e várias necrópoles”, revelou a arqueóloga. Actualmente as Ruínas Romanas de Tróia estão ao cuidado do troiaresort – o empreendimento turístico da Sonae na Península de Tróia - que, ao abrigo de um protocolo celebrado em 2005 com o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) e o Instituto Português de Arqueologia (IPA) - actualmente integrados no Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) – possui uma equipa própria de Arqueologia a desenvolver trabalhos neste sítio arqueológico. Embora ainda estejam em curso trabalhos de valorização das Ruínas Romanas, há um calendário de visitas guiadas que varia consoante a época do ano. Ainda segundo Inês Vaz Pinto, as Ruínas Romanas de Tróia são um grande complexo de produção de salgas de peixe que foi construído na primeira metade do século I, e ocupado provavelmente até ao século VI, aproveitando a riqueza em peixe do Atlântico e a excelência do sal das margens do Sado. Situam-se no braço nordeste da actual Península de Tróia, que na época romana seria uma ilha. Pensa-se que seria a ilha de Ácala referida por Avieno, escritor latino do século IV, na sua obra Orla Marítima, mas não há dados arqueológicos que o comprovem. Situava-se no território da cidade de Salácia (Alcácer do Sal) e durante vários séculos foi confundida com a cidade de Cetóbriga, que se sabe hoje ser a cidade de Setúbal. O seu elemento mais característico são as oficinas de salga, com tanques onde se preparariam as conservas e molhos de peixe, entre os quais o famoso garum muito citado pelos autores latinos. Estes produtos, envasados em ânforas fabricadas na margem norte do estuário do Sado, eram levados de barco para Roma e outras regiões do Império Romano. Tendo-se desenvolvido num povoado importante, as ruínas de Tróia são constituídas por diversos núcleos. Além das oficinas de salga, estão a descoberto umas termas com as habituais salas e tanques para banhos quentes e frios, um núcleo habitacional com casas com rés-do chão e primeiro andar, designado por Rua da Princesa, uma rota aquaria (roda de água), um mausoléu, necrópoles com diferentes tipos de sepulturas e uma basílica paleocristã com paredes pintadas a fresco. |